
O tomógrafo PEt é um novo tipo de instrumento médico que é radicalmente diferente das ferramentas que o médico tinha para fazer imagens do cérebro de forma não invasiva, ou seja, sem que ter que abrir o crânio do paciente de modo a examinar o seu interior ou tomar amostras do tecido cerebral. .
E porque o PET é diferente ?
A primeira técnica não invasiva de obtenção de imagens do cérebro foi uma grande revolução da medicina. Foi a radiografia, inventada por um físico alemão chamado Wilhelm Röntgen, em 1896, e usava os raios-x, uma radiação eletromagnética invisível que também tinha sido descoberta por ele. Para o espanto de Röntgen, ele notou que os raios-x podiam penetrar através do corpo, como se ele fosse transparente, e produzir uma fotografia negativa do seu interior, mostrando com detalhes surpreendentes os ossos, cavidades e outras estruturas anatômicas em seu caminho. Röntgen pode ver imediatamente o valor médico de sua descoberto, e a primeira radiografia feita no mundo foi da mão de sua mulher. c
No entanto, os raios-x mostram apenas as estruturas anatômicas, e nada mais. A função dessas mesmas estruturas pode ser apenas deduzida a partir de mudanças anatômicas, mas apenas se elas ocorrerem. Aumento, movimento e fluxo de substâncias no corpo podem ser observadas em alguns órgãos selecionados (por exemplo, o coração, os intestinos, ou quando se usa líquidos que são opacos aos raios-x, chamados contrastes), mas não muito mais do que isso. Como o cérebro não se move, os raios-x tem pouco valor para estudar função, particularmente a função normal.
O imenso valor do PET para estudar a função cerebral normal foi evidenciada por várias pesquisas pioneiras. Por exemplo, o pesquisador da Universidade da Califórnia em Los Angeles, Dr. Michael E. Phelps, foi um dos primeiros a mostrar em espantoso detalhe como diferentes partes do cérebro são ativadas quando desempenhamos tarefas mentais, tais como ouvir, ler, falar, pensar, etc.
Os
primeiros tomógrafos PET tinham um número pequeno de sensores
de radiação para reconstruir a imagem, e podiam fazer apenas
uma fatia de cada vez. As fatias também eram muito espessas. Portanto,
as imagens obtidas com o PET eram de baixa qualidade e definição.
Era impossível conseguir localizar detalhes mais finos da localização
da função no cérebro, de modo que sua utilidade para
a clínica era bastante limitada, principalmente quando a comparamos
com os PETs modernos.
Este
figura mostra a evolução da qualidade da imagem desde os
primeiros modelos comerciais de PET, disponíveis em 1975, até
o modelo mais moderno e sofisticado, o ECAT Exact HR+, da Siemens.
Você pode ver facilmente os detalhes mais finos das estruturas cerebrais
internas, que podem ser visualizadas muito melhor nos modelos mais recentes.
Esta melhoria foi conseguida com um maior número de detectores de
radiação, programas de computação mais poderosos
e a possibilidade de tomar várias fatias ao mesmo tempo (usando
um número maior em vários aneis de sensores). Todos os modelos
de máquinas PET mostrados aqui foram produzidos pelo fabricante
de equipamentos biomédicos Siemens, que instalou a maioria de centros
PET modernos no mundo.


Os
tomógrafos PET modernos são bastante caros e sofisticados,
mas também são muito mais fáceis de instalar e de
operar, tendo uma série de novas características que os médicos
usam com bastante vantagem para realizar muitas proezas de obtenção
de imagens do cérebro, tais como uma velocidade muito maior na obtenção
de resultados. Por exemplo, eles podem ser usados, como é mostrado
aqui, para produzir filmes das partes internas do corpo.
Como
os PETs são tão caros (na realidade é o ciclotron
e o preço total da instalação que constituem o custo
maior), existem apenas cerca de 150 centros em todo o mundo, os quais estão
concentrados, como vemos no mapa, nos EUA (particularmente nas costas leste
e oeste), na Europa (particularmente nos países anglo-saxões
e França), e no Japão. No hemisfério sul, apenas a
Argentina e a Austrália têm alguns poucos centros.
Créditos de imagens: The Crump Institute for Biological Imaging, Department of Pharmacology, University of California at Los Angeles. CTI and The History of Medicine CD-ROM,
De: A Tomografia PET: Uma Nova Janela Para o
Cérebro
Por: Renato M.E. Sabbatini,
PhD
Em: Cérebro & Mente, Março
1997.